terça-feira, 17 de junho de 2008

Retomando o ritmo

Justo na época em que várias coisas estão acontecendo no mundo da bola laranja, eu não consegui arrumar tempo para postar.
Veremos se agora consigo retomar o ritmo.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Quando a fase está ruim...

Ontem o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab deu início a II Olimpíadas Estudantis da capital. Apoio à educação, fomento à prática desportiva, investimento nas crianças e jovens, integração, discursos e agradecimentos. Tudo estava muito bem até a hora do pontapé inicial...

Vossa Escelência, não chuta a bola que fica oval! Heresia número um para qualquer basqueteiro que se preze.

Ouvi dizer que durante a cerimônia o primeiro chute foi numa bola de futebol. Depois deram uma outra bola pra ele dar um pontapé, certamente porque a primeira foto não ficou boa, ou coisa do gênero. O fato é que a segunda bola que deram na mão dele era laranjinha e o prefeito não teve dúvida, isolou a bola de basquete.

A fase do basquete brasileiro não está boa mesmo. Nem quando a intenção é boa as coisas saem direito. Mas cá entre nós, acho que a Marta teria dado um arremesso.

Noite de campeões

A noite de terça-feira consagrou dois campeões no basquete. O Tau Ceramica, do pivo Tiago Spliter passou por cima do AXA FC Barcelona e levou o título espanhol com a mesma autoridade que o Flamengo superou o Universo/Brasília, conquistando o primeiro título nacional do clube na modalidade.

Tiago não foi tão decisivo como nas duas partidas anteriores mas merece muito do crédito dessa conquista basca. Há anos o pivô é um dos destaques da equipe e já foi objeto de um par de posts aqui neste blog.
Já o Flamengo traz algumas novidades. O título brasileiro parabeniza o investimento do único clube grande em basquete. Não sei se essa é bem a "solução" da modalidade, tendo em vista que em São Paulo o basquete no interior tem uma tradição muito mais forte que no Rio de Janeiro. Mas seria legal de ver os clubes grandes investindo na bola laranja de uma maneira constante e duradoura. Não em iniciativas pontuais e efêmeras, como aconteceu há pouco tempo no Corinthians, por exemplo.

Destaque para o lateral Marcelinho Machado. O cara começou mal a partida, errando muito, mas ele é dono do time, tem moral, auto-confiança e sabe que um jogo de basquete deve ser jogado até o fim. E foi o que ele fez. Jogou o jogo até o fim e, enquanto não achava seu arremesso, foi metendo seus lances-livres. Todos os seus 21 lances-livres, diga-se de passagem. No último quarto as coisas aconteceram para ele e o cara meteu 24 de seus 40 pontos nos dez minutos decisivos.

Eu não sou nenhum fã do Marcelinho. Aliás, estou mais para crítico que para admirador. Marcelinho joga um basquete arriscado para qualquer equipe por conta de seus arremessos forçados. No Flamengo, que conta com pivôs melhores que do Universo, essa atitude não pesa tanto quanto numa seleção brasileira, numa disputa de altíssimo nível, em que paga-se caro por erros baratos. Na terça-feira, entretanto, tudo deu certo pra ele no final. Soma-se a isso um final de partida mal administrado pela equipe de Brasília e seus dois experientes armadores (Ratto e Valtinho). Resultado, Flamengo merecidamente campeão brasileiro.

É lamentável, entretanto, ver dois campeonatos ditos "nacionais" dividirem a força do basquete nacional e mais, dividindo a audiência da modalidade, visto que foram transmitidos na mesmíssima hora por dois canais distintos. Da briga, das bombas, das torcidas organizadas, da confusão, da invasão de quadra, isso eu nem vou falar. Fábio Balassiano e o Rodrigo Alves já o fizeram com muita propriedade em seus respectivos blogs. Talvez eu não tenha a mesma paciência. Sorry.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Mais do mesmo

De fato, somente um texto não basta para descrever a curiosa personalidade do técnico dos Celtics. Por isso coloco este vídeo que encontrei no Youtube. A princípio parece algum desses vídeos sobre técnicas e tática no basquetebol, mas logo Auerbach mostra um pouco da seu perfil folclórico e deixa claro sua opinião sobre o "floppy", ou seja, essa mania que alguns jogadores tem cavar faltas como recurso defensivo.

Nada contra cavar as faltas, mas que as vezes parece ridículo, isso parece. Manu Ginobilli e Anderson Varejão que o digam Esse aliás, jamais jogariam no time de Auerbach.

One há fumaça, há Red Auerbach

O melhor playoff dos últimos anos chega a sua reta final com uma das maiores rivalidades de todos os tempos. A partir de quinta-feira Boston Celtics e Los Angeles Lakers duelam para saber quem os norte-americanos vão coroar como World Champion.

Como em qualquer decisão, outras histórias e recordes pessoais estão em jogo. Existe, por exemplo, os anos de espera dos Celtics, a eterna comparação entre Kobe Bryant e Michael Jordan e o recorde de vitórias do técnico Phil Jackson, dos Lakers. Famoso pelo seu perfil zen, Jackson está a um título de superar o lendário técncio que dirigiu o próprio Boston Celtics por 17 anos, assumindo depois funções administrativas na franquia.

Arnold Jacob "Red" Auerbach é apontado como um dos maiores técnicos de todos os tempos e, para completar, uma das figuras mais folclóricas da Liga. Nos anos 50, quando o cigarro gozava de muito mais tolerância e glamour que nos dias de hoje, Auerbach lhe dispensava verdadeira aversão, mas não abria mão de um bom charuto ao final de cada vitória. Naqueles bem-sucedidos anos 50 e 60, se alguém visse um sinal de fumaça emanando do banco dos Celtics nos minutos finais do jogo, era certeza que os Celtics acabaram de vencer mais uma. "Eu odeio esses técnicos que estão 25 pontos na frente faltando três minutos e ficam gritando e gesticulando porque eles estão na TV. Para mim este jogo acabou. O trabalho está feito e é hora de relaxar. Fumar um cigarro e assitir ao jogo é uma forma de relaxar para mim".

Claro que isso irritava, e muito, seus adversários. Inclusive os então fregueses dos Celtics, Los Angeles Lakers. Até o ano da morte do técnico, o maior cestinha da NBA Wilt Chamberlain recusava a dizer seu nome, limitando-se a chamá-lo de the man I don´t like. A fumaça não era o único incômodo dos visitantes que iam ao Boston Garden numa NBA de outrora. Conta-se que Auerbach mandava desligar o aquecimento dos chuveiros das equipes de fora, ou ligá-los no máximo.

A imagem folclórica não supera o talento de um técnico que nunca teve general manager, assistente técnico ou qualquer ajudante para anotar um mísero scoult. Auerbach foi quem criou a idéia de um sexto-homem efetivo na equipe. Dizia também que treinar profissionais ou colegiais não era muito diferente. "Nos fim das contas é tudo uma questão de defender e fazer contra-ataques".

Red Auerbach entrou para a história também por ter sido o primeiro a draftar um jogador negro para a NBA, Charles Cooper, ainda nos anos 50. E quando se aposentou, já na condição de lenda em Boston, deixou o cargo nas mãos do jogador Bill Russel, tornando-lhe o primeiro técnico negro no esporte profissional norte-americano.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Tiago segue no velho continente

Enquanto nos EUA nossos jogadores da NBA vão tirando o corpo fora às vésperas do pré-Olímpico de Atenas, na Espanha Tiago já confirmou que vai jogar pela seleção brasileira e quer chegar às Olímpíadas de Pequim.

Mas este post não é pra criticar os três brasileiros na NBA, mas elogiar Tiago Splitter. Aos 23 anos arrisco dizer que Tiago é o jogador de basquete mais bem sucedido do país. De sua passagem por aqui, entretanto, só um ou outro torcedor de Blumenau deve se lembrar. O rapaz saiu do Brasil rumo ao País Basco quando tinha somente 15 anos. Foi contratado pelo Tau Ceramica e depois emprestado por duas temporadas ao Bilbao Basket, também da vizinhança basca. Quando voltou ao Tau Ceramica em 2003, o adolescente já era um jogador de basquete. De lá pra cá, o basquete de Tiago cresceu no mesmo ritmo de sua equipe e do basquete europeu.

O Tau Ceramica figura entre os quatro melhores da Europa desde o Final Four de 2005, em Moscou. Apesar de nunca ter vencido a máxima competição euroéia, a equipe basca é uma das mais consistentes e respeitadas do Velho Continente. Tiago Splitter é um dos principais jogadores do Tau Ceramica e foi eleito dois anos consecutivos MVP da Supercopa (torneio que marca a metade da temporada na liga espanhola e reúne os oito melhores times da liga).

Recentemente desistiu de sua ida à NBA. Muitos já tinham como certa sua ida ao San Antonio Spurs no póximo draft, mas Tiago achou melhor ficar na Espanha. O motivo é óbvio, o Tau cobriu a oferta dos Spurs oferecendo oito vezes mais que a franquia norte-americana. Tanto dinheiro reflete o crescimento da Euroliga no cenário mundial, a ponto de rivalizar com a NBA inclusive financeiramente (soma-se a isso a desvalorização do dólar e a valorização do Euro). Trajan Langdon, do CSKA Moscow, já havia dito isso em uma entrevista após o título, e o caso de Tiago só reafirma a projeção do basquete de clubes europeu.

Cifras a parte, acho louvável a posição de Tiago de manifestar seu desejo de jogar pela seleção. E olha que ele ainda nem saiu de férias. Muito pelo contrário, sua equipe enfrenta amanhã o AXA FC Barcelona no terceiro jogo da final da ACB espanhola. Se ganhar amanhã em casa, Tiago Splitter, que vem sendo o destaque do time nas finais, sagra-se campeão espanhol pela primeira vez na carreira.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Mau começo

O pré-Olímpico de Atenas está aí. Dia 14 de julho começa o torneio que definirá as últimas três vagas para a Olímpiada de Pequim. Enquanto não chega o momento de pegar o avião rumo a Grécia, chegam as más notícias.

A primeira delas foi a lambança burocrática da CBB com os trâmites diplomáticos em Brasília. A brincadeira custará à selção brasileira pelo menos três dias a menos de na preparação. Uma perda considerável uma vez que os treinamentos durariam cerca de 30 dias.

Alguns dias atrás, veio o pior. Os veículos divulgaram que ninguém menos que os três brasileiros na NBA poderiam ficar de fora do pré-Olímpico. Varejão e Leandrinho estão com problemas no joelho, sendo que o segundo deverá passar por uma avaliação em breve para saber se fará um cirurgia ou não. Se ela for necessária, certamente ficará de fora. Já Nenê, diz a matéria, ainda tenta recuperar a forma física depois da cirurgia no testículo.

Cá entre nós, o Nenê por mais gordo e fora de forma que esteja é melhor que a maioria dos pivôs brasileiros. Sem falar que ainda temos mais de um mês até o pré-Olímpico, tempo suficiente para entrar em forma.

O caso de Leandrinho e Varejão me soa mais delicado. É uma lesão, e nesse momento o atleta deve mesmo priorizar sua integridade física. Eu só lamento que justo no momento em que a seleção mais precisa deles, aconteça um problema desses. É questão de repensar a pesadíssima carga de treinos e jogos da NBA. Mas isso é assunto pra outro post.

O que me deixou mais perplexo nessa história toda é o boato de que a ausência dos três seria um boicote. A história confirmada pelo lateral Marquinhos é de que o trio queria um técnico da NBA, e não um espanhol desconhecido qualquer.

Eu também acharia ótimo um técnico com mais experiência no comando da seleção. Mas daí chamar um técnico da NBA não faz sentido numa competição nos moldes da FIBA. A própria seleção dos EUA é comandada por Mike Krzyzewski porque este vem do basquete universitário, onde as regras são próximas da FIBA. Por que diabos nós precisaríamos de um treinador da NBA? Espero que isso não passe de um boato. E se for verdade, eles que venham defender suas posições em público ao invés de boicotar o trabalho dos outros.

Para terminar, outra má notícia assombra a seleção brasileira. Duda, o irmão de Marcelinho "Só-não-chuto-minha-mãe-porque-ela-não-é-laranja" Machado, poderia ser chamado para o lugar de Leandrinho. Chuta que é macumba!